
Juro para você, que eu tentei me manter forte, e viva, tudo isso para apenas uma pessoa, você. Mas a minha força sumiu, desapareceu, evaporou. E não deu para aguentar mais, desisti, fui fraca, agi sem pensar, te peço desculpas, meu amor, isso não vai doer tanto em você, nem sei se você me ama de verdade, peço desculpas mais uma vez. Ah, já estava esquecendo de te avisar, que estarei contigo, te protegendo, hoje, e sempre. Eu te amo, adeus. — Walace S. {E69}
Carta de Suicídio
Prometi que ficaria bem, mas não consegui. Há algo que não sai da minha mente faz um bom tempo: “suicídio”, talvez por ser sozinho, não que não tenho amigos, mas não posso toca-los. Se eu morrer eu não vou sofrer bullying, se eu morrer algumas pessoas irão chorar por minha falta, mas não tem volta. Se eu morrer estarão livres de mim, se eu morrer vou estar fazendo o que mais gosto, dormindo pra sempre, se eu morrer não vou mais chorar, se eu morrer não vou fazer ninguém se decepcionar comigo. Se eu morrer vou morrer sozinho, se morrer ninguém irá precisar comprar roupas pra mim, se eu morrer não serei mais um lixo. Se eu morrer tudo de ruim irá acabar.

“Meu filho mais velho tem seis anos e está apaixonado pela primeira vez. Ele está apaixonado pelo Blaine de Glee.
Para quem não sabe, Blaine é um garoto… um garoto gay, namorado de um dos personagens principais, Kurt.
Não é um amor do tipo “ele acha o Blaine muito maneiro”. É do tipo de amor em que ele devaneia olhando para uma foto de Blaine por meia hora seguido por um ávido “ele é tão lindo”.
Ele adora o episódio em que os dois meninos se beijam. Meu filho chama as pessoas que estão em outros cômodos pra ter certeza de que não perderão “sua parte favorita”. Ele volta o video e assiste de novo… e obriga os outros a fazerem o mesmo, se achar que as pessoas não prestaram atenção suficiente.
Essa obsessão não preocupa a mim e a seu pai. Nós vivemos em uma vizinhança liberal, muitos de nossas amigos são gays e a ideia de ter um filho gay não é algo que nos preocupa. Nosso filho vai ser quem ele é, e amá-lo é nosso dever. Ponto final.
E também, ele tem seis anos. Crianças nessa idade ficam obcecadas com todo tipo de coisa. Isso pode não significar nada. Nós sempre brincamos que ou ele é gay ou nós temos a melhor chantagem na história da humanidade quando ele tiver 16 anos e for hétero. (Toma essa, fotos tomanho banho.)
E então, dia desses estávamos viajando para outra cidade ouvindo (é claro) o CD dos Warblers, e no meio da música Candles, meu filho, do banco de trás, fala:
“Mamãe, Kurt e Blaine são namorados.”
“São sim,” eu confirmo.
“Eles não gostam de beijar meninas. Eles só beijam meninos.”
“É verdade.”
“Mamãe, eles são iguais a mim.”
“Isso é ótimo, querido. Você sabe que eu te amo de qualquer forma?”
“Eu sei…” Eu podia ouví-lo rolando os olhos pra mim.
Quando chegamos em casa, eu contei da conversa para o pai dele, e nós simplesmente olhamos um nos olhos do outro por um momento. E então, sorrimos.
“Então se aos 16 anos ele quiser fazer o grande anúncio na mesa de jantar, poderemos dizer ‘Você disse isso pra gente quando tinha 6 anos. Passe as cenouras’ e ele ficará decepcionado por roubarmos o grande momento dramático dele’, meu marido diz rindo e me abraça.
Só o tempo dirá se meu filho é gay, mas se for, estou feliz que ele seja meu. Eu estou feliz que ele tenha nascido na nossa família. Uma família cheia de pessoas que o amarão e o aceitarão. Pessoas que jamais vão querer que ele mude. Com pais que não veem a hora de dançarem no casamento dele.
E eu tenho que admitir, Blaine seria realmente um genro fofo.”